Traficante preso em megaoperação responde por tortura na Penha: 'Quer morrer logo?'; VÍDEO
Um dos 15 réus que teve a condenação pedida pelo Ministério Público em um dos processos relativos à Megaoperação Contenção, de outubro de 2025, responde por um episódio de tortura na Penha. A vítima, que não foi identificada, apareceu durante as investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), e foi obtido no celular de Fagner Campos Marinho, o "Bafo". Apontado como um dos seguranças pessoais de Edgar Alves de Andrade, o Doca, chefe da facção, Fagner foi um dos 99 presos na ação nos Complexos da Penha e do Alemão que terminou com 122 mortos. As imagens mostram a vítima amarrada, com o rosto e corpo cobertos de sangue. O vídeo foi gravado, de acordo com as investigações, no dia 30 de abril de 2025. Fagner indaga à vítima: "Quer morrer logo?", questiona Fagner, de acordo com o Ministério Público. De acordo com o MP, o episódio de tortura foi um "castigo pessoal" como "medida de caráter preventivo de interesse da facção criminosa Comando Vermelho". 📌Um ano da megaoperação: esta reportagem faz parte de uma série do g1 sobre os desdobramentos da ação realizada em 28 de outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, com 122 mortos. Veja todas as reportagens. Homem é torturado por traficantes do Comando Vermelho Reprodução/TV Globo "Tentou correr aqui, demos uma massagem nele aqui, tá ligado?", relata o próprio "Bafo antes de propor a execução do homem que, amarrado e agredido, não consegue formular uma resposta. Por causa deste vídeo, Fagner foi indiciado pela DRE, denunciado pelo MPRJ e responde na Justiça por associação para o tráfico e tortura em um dos processos contra os réus da Megaoperação. A ação penal corre na 42ª Vara Criminal. Fagner, conhecido como "Bafo" Reprodução Áudios monitorados na investigação indica que Fagner deu ordens em áudios para comparsas se livrarem de um corpo após um possível homicídio. Em um dos áudios, ele se refere ao corpo como "presunto". "Fala pra ele que é pra ele ver a melhor forma de mandar um carro aqui que nós vai deixar morto já lá atrás, que é pro cara ir lá pegar então", diz ele nos áudios enviados. O áudio foi utilizado pelo Ministério Público na denúncia para demonstrar a crueldade, a reiteração criminosa e a ocultação do cadáver resultante da execução. A vítima não foi identificada. Veja todas as reportagens da série: Um ano depois, 33 alvos estão foragidos e chefes vivem na região Relatório de câmeras de PMs indica tortura, ameaças e agressões MPRJ já denunciou 28 PMs da ofensiva por diferentes crimes Como a Penha tenta reconstruir a rotina após a megaoperação Os efeitos da Megaoperação no RJ em crianças e jovens da Penha
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