TJRJ torna réu ex-deputado TH Jóias acusado de usar mandato para favorecer o Comando Vermelho
TH Jóias na época da sua prisão, em 2017 Reprodução O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) recebeu a denúncia do Ministério Público contra o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Jóias, e outras quatro pessoas. Com a decisão, os cinco se tornam réus em uma ação que apura, segundo o MP, associação para o tráfico de drogas e comércio ilegal de armas. A denúncia afirma que Thiego teria usado o cargo e o gabinete na Alerj para favorecer integrantes do Comando Vermelho. Segundo a denúncia do Ministério Público, os cinco teriam se associado entre si e a outros integrantes do Comando Vermelho para a prática de tráfico de drogas em Parada de Lucas e nos Complexos da Maré e do Alemão, no Rio de Janeiro. As acusações descritas no processo são de responsabilidade do MP e ainda serão apuradas no decorrer da ação penal. Agora no g1 De acordo com a acusação, Thiego teria utilizado o cargo de deputado estadual e o mandato parlamentar para favorecer a facção. O MP afirma que ele teria intermediado a compra e venda de drogas, armas de fogo e equipamentos antidrones, além de efetuado pagamentos ao Comando Vermelho. Ainda segundo a denúncia, após assumir o mandato, Thiego teria indicado Fernanda Ferreira, esposa de Gabriel Dias, e Luiz Eduardo para ocuparem cargos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Fernanda teria ocupado o cargo de “Assistente IX” no gabinete de Thiego, enquanto Luiz Eduardo teria sido nomeado “Assessor Parlamentar” no mesmo gabinete. O MP sustenta que os cargos teriam sido utilizados para estreitar os vínculos do ex-deputado com a facção e acobertar atividades ilícitas. O Ministério Público também acusa Gabriel Dias de atuar como tesoureiro do Comando Vermelho, guardando dinheiro e realizando pagamentos, além de armazenar drogas e interferir em negociações de armas e munições. Já Luiz Eduardo é acusado de vender equipamentos antidrones para a facção, testá-los nos territórios ocupados pelo grupo e ensinar como os aparelhos deveriam ser utilizados. Ele também é apontado como intermediário em transações de compra e venda de drogas. Além da associação para o tráfico, Thiego responde, segundo a denúncia, por comércio ilegal de arma de fogo de uso proibido ou restrito. O MP afirma que ele teria intermediado a compra e venda de armas e equipamentos antidrones. A denúncia enquadra o ex-deputado no artigo 17, parágrafo 1º, da Lei 10.826/2003, com a previsão de aumento de pena quando a arma for de uso proibido ou restrito. O Ministério Público também pediu, ao final do processo, que os acusados sejam condenados à reparação de danos morais em valor não inferior a R$ 5 milhões. Em relação a Thiego, pediu ainda a perda do mandato eletivo. Em setembro, a Justiça Federal também havia tornado réu o ex-deputado estadual TH Jóias acusado de envolvimento em um esquema de corrupção, tráfico de drogas e contrabando ligado ao Comando Vermelho, investigado na Operação Zargun. Prisão preventiva é mantida para quatro acusados O TJRJ manteve a prisão preventiva de Thiego Raimundo, Luiz Eduardo, Gabriel Dias e Luciano Martiniano. Na decisão, o relator afirmou que permanece o risco de reiteração delitiva e que a liberdade dos acusados poderia representar risco de eliminação de provas e de intimidação de testemunhas ou colaboradores. O desembargador também considerou que medidas alternativas à prisão não seriam suficientes diante da gravidade dos fatos apurados. Luciano Martiniano está foragido e com paradeiro desconhecido. Por isso, o tribunal determinou que o processo fosse desmembrado em relação a ele e remetido à Justiça de primeira instância. Segundo a decisão, a permanência do acusado no processo poderia atrasar o andamento da ação em relação aos demais réus, que estão presos preventivamente.
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