Polícia investiga suspeita de fraude em concursos no RJ; candidato usava ponto e ‘óculos-espião’, diz polícia
Polícia investiga esquema de fraude em concursos A delegacia de Bonsucesso (21ª DP) investiga uma suposta organização especializada em fraudes em concursos públicos. A investigação começou após o candidato identificado como Alexandre Campos Oliveira ter sido preso em flagrante tentando filmar a prova durante o concurso da Assembleia Legislativa do RJ (Alerj), no dia 8 de fevereiro deste ano. Segundo a polícia, ele usava um ponto eletrônico e um "óculos-espião" adaptado com um chip durante o exame. Alexandre chegou a ser solto dois dias depois na audiência de custódia. Entretanto, o Ministério Público do Rio (MPRJ) recorreu da decisão e sustentou que estavam presentes os requisitos legais para a prisão preventiva. Entre os argumentos apresentados no pedido de prisão, o órgão apontou a necessidade de preservar a instrução criminal, evitar prejuízos à produção de provas e garantir a regularidade do processo. A Justiça acatou a solicitação, e ele voltou a ser preso no dia 15 de setembro em uma ação da 21ª DP em conjunto com a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF). ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 RJ no WhatsApp 'Óculos-espião' adaptado com um chip foi apreendido em concurso no RJ Reprodução Flagrante durante a prova A prisão em flagrante aconteceu durante a prova para o cargo de Especialista Legislativo Nível 4 da Alerj, realizada nas dependências da Unisuam, em Bonsucesso. Uma candidata que estava na mesma sala percebeu que Alexandre estava fotografando a prova com um celular. Segundo o relato registrado no processo, ele havia colocado o aparelho no saco plástico destinado à guarda dos celulares, mas pediu para abri-lo alegando que precisava verificar se havia algum alarme ligado. O candidato teria aproveitado um momento de distração do fiscal para retirar o celular e escondê-lo. A candidata percebeu a movimentação suspeita, deixou a sala sob o pretexto de ir ao banheiro e comunicou o caso à fiscalização. Haste dos óculos era adaptada com chip Reprodução Durante a abordagem dos fiscais, Alexandre teria tentado se desfazer de provas. Segundo os fiscais, ele rasgou um papel com instruções sobre o uso do equipamento e colocou na boca um pequeno saco plástico azul, que tentou engolir. O objeto foi recuperado pela equipe de segurança e identificado como um ponto eletrônico. O delegado assistente da 21ª DP, Mário Albert, informou que a polícia aguarda o resultado da perícia no celular apreendido com Alexandre para tentar identificar a origem do esquema. Os investigadores também apuram se o preso fazia parte do grupo ou se tentou apenas se beneficiar da fraude. "A gente abriu uma investigação para complementar e identificar, ao menos inicialmente, esse terceiro que estava ali auxiliando ele. Mas a gente está tentando entender também se é uma organização que é voltada a fraudar concursos aqui no Brasil." Candidato foi flagrado com ponto eletrônico em concurso no RJ Reprodução Outra denúncia de fraude No dia 23 de julho, o MPRJ instaurou um procedimento preparatório de inquérito civil para apurar uma denúncia de favorecimento de uma candidata no concurso da Alerj, que também teria tido acesso a informações privilegiadas. A candidata atuava como funcionária comissionada da Alerj, no cargo de chefe de gabinete do diretor geral, e concorreu ao cargo de procurador legislativo, cujo salário inicial é de cerca de R$ 46 mil. De acordo com informações divulgadas no Diário Oficial do MPRJ, um ofício já havia sido enviado à Alerj pedindo esclarecimentos, mas não houve resposta. O MPRJ busca agora colher mais informações para decidir se há elementos para instaurar um inquérito civil. Já foram expedidos ofícios para a Fundação Getúlio Vargas (FGV), banca organizadora do concurso, e órgãos públicos vinculados ao contexto da investigação, que segue em sigilo. Em nota, a Alerj informou que "já apresentou todas as informações solicitadas pelo Ministério Público, mas não comentará sobre o caso, pois o procedimento mencionado encontra-se sob sigilo". Afirmou ainda que "a servidora mencionada foi exonerada em março deste ano". Até a publicação desta reportagem, a FGV não havia se pronunciado sobre o caso. O concurso público da Alerj deste ano recebeu cerca de 87 mil inscrições para o preenchimento de 109 vagas de níveis médio a superior. O concurso anterior foi realizado em 2016. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop.
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