Advogado de Fernandinho Beira-Mar é investigado por apropriação indébita e estelionato após denúncia de clientes
Registro da OAB de Raphael Smith aparece como regular Reprodução O advogado Raphael Brito Smith da Silva, que representa Fernandinho Beira-Mar e familiares do traficante em processos judiciais, é investigado em pelo menos dois casos após clientes denunciarem que pagaram por serviços jurídicos que não teriam sido prestados. Em um dos casos, um músico diz ter perdido R$ 11 mil ao contratar o profissional para regularizar o pagamento da pensão alimentícia da filha. Em outro, uma mulher afirma ter desembolsado mais de R$ 4 mil por uma ação contra uma empresa de imobiliária que nunca foi aberta. No caso do músico, registrado em setembro deste ano, a Polícia Civil investiga uma denúncia de apropriação indébita. Já no episódio envolvendo a ação imobiliária, o advogado foi indiciado por estelionato e patrocínio infiel após a conclusão de um inquérito policial em 2025. O procedimento foi encaminhado novamente ao Ministério Público depois de novas diligências. O g1 entrou em contato com o advogado, mas não havia tido retorno até a publicação desta reportagem. Clique aqui para seguir o canal do g1 RJ no WhatsApp Agora no g1 Músico pagou R$ 11 mil para regularizar pensão da filha O músico procurou o advogado para resolver questões relacionadas ao pagamento da pensão alimentícia da filha. Segundo o relato feito à polícia, ele entregou ao advogado pelo menos R$ 11 mil e acreditava que os valores estavam sendo depositados em uma conta judicial. O homem diz que descobriu que os pagamentos não estavam sendo feitos depois de ser cobrado pela mãe da menina. Segundo ele, a mulher não recebia a pensão havia três meses, apesar de o advogado afirmar que havia realizado as transferências. O músico registrou um boletim de ocorrência às pressas, segundo seu relato, para comprovar que acreditava estar cumprindo a obrigação alimentar. A ocorrência foi inicialmente registrada como apropriação indébita. De acordo com a 34ª DP (Bangu), responsável pelo caso, a investigação está em andamento e é acompanhada pelo Ministério Público. Diligências são realizadas para apurar os fatos. Mulher diz que pagou por ação que nunca foi aberta Em outro caso, registrado em 2025, uma mulher afirma ter contratado Raphael para entrar com uma ação contra uma imobiliária. Segundo ela, o advogado recebeu mais de R$ 4 mil em honorários e supostas custas processuais, além de ficar com a chave do apartamento. A cliente diz que recebia mensagens do profissional afirmando que o processo já estava com a juíza. No entanto, descobriu posteriormente que a ação nunca havia sido protocolada. Depois de perceber que havia sido enganada, ela procurou outra advogada para tentar entrar com o processo. A situação, porém, ficou mais complicada porque a empresa alegou que a cliente não havia devolvido as chaves do imóvel durante meses. Segundo a mulher, o objeto continua em posse de Raphael. A vítima também afirma que tentou conversar com o advogado depois de descobrir que a ação não havia sido aberta, mas foi bloqueada por ele no WhatsApp. A investigação foi conduzida pela 52ª DP (Nova Iguaçu). Em julho de 2025, a Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou o advogado pelos crimes de estelionato e patrocínio infiel. O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público, que determinou novas diligências para reunir provas complementares. Após o cumprimento das medidas, a Polícia Civil informou que o inquérito foi novamente enviado ao MP. Advogado representa Beira-Mar e familiares Com inscrição regular na Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ), Raphael Brito Smith da Silva atua na defesa de Fernandinho Beira-Mar em um processo no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3). Ele também representa a mulher e a filha do traficante em uma ação no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). A OAB-RJ informou que apura a conduta do profissional por meio de um processo ético-disciplinar instaurado pela entidade. Alvo em outra investigação O advogado já havia sido alvo de uma investigação da Polícia Civil em agosto de 2023. Na ocasião, ele foi indiciado por estelionato e tráfico de influência pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), sob suspeita de abordar pessoas investigadas em uma operação policial e oferecer ajuda para interferir nos procedimentos em troca de dinheiro. Segundo a investigação, ele cobrava R$ 10 mil para verificar a situação dos alvos e oferecia uma suposta solução para os inquéritos por R$ 250 mil. Na época, policiais cumpriram mandados de busca e apreensão no escritório do advogado, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, onde foram recolhidos documentos e computadores.
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